[Imprensa] 

Detetive há 24 anos, ela vai se formar na

1ª graduação do país na área

A detetive particular Jacqueline Morais, que ajudou a regulamentar a profissão.

        "Nunca chamar a atenção e sempre passar despercebida. Para isso, vale utilizar peruca, vestir roupas que normalmente não usaria e até aprender a falar com determinado sotaque", diz a paulistana Jacqueline Morais, 48, sobre sua rotina profissional. Ela é detetive particular há 24 anos e, no fim deste ano, deve estar entre os primeiros estudantes a se formar no curso superior de Investigação Profissional: Detetive Particular, inédito no país, oferecido pela Centro Universitário Internacional Uninter, em Curitiba. Jacqueline diz que a inspiração veio do pai, que era detetive desde os anos 1980 e foi dono de uma das primeiras agências de investigação de São Paulo. "Comecei como auxiliar administrativa [na agência] e me apaixonei pela profissão. Na época, havia poucas mulheres atuando. Mas ele me fez um convite ousado, perguntou se eu teria coragem de largar tudo e trabalhar com ele", conta.

       A partir daí, ela fez um curso livre de detetive, de um ano de duração, abriu sua própria agência e nunca mais largou a atividade. Após a morte do pai, continuou seu legado. "Ela é filha de uma pessoa que é referência em investigação no Brasil. Teve um dos melhores professores que alguém da área poderia ter", afirma o detetive português Manuel Luiz Martins Vieira Xufre, 58, que mora em Goiânia e já atuou em parceria com Jacqueline. "Ela é muito sensitiva e perspicaz", diz o companheiro de profissão. Apesar de já ter bastante experiência na área, Jacqueline diz que considera importante participar do primeiro curso superior do país sobre o tema. " Acredito que os profissionais devem estar sempre se aprimorando, e essa graduação tem um currículo abrangente, com o que há de mais atual", afirma.

        Entre as áreas de investigação, ela diz que trabalha principalmente com investigação conjugal e pré-nupcial. "Sempre vai ser o carro-chefe das investigações", explica. Entre as demais áreas, estão localização de pessoas (como ex-namorada), fraudes trabalhistas (como investigar a condição de saúde de um funcionário afastado) e corporativas (que podem acarretar fraudes na contabilidade de uma empresa).

      

       "Os conteúdos sobre fraudes corporativas do curso me ajudaram bastante, estou usando muito o que aprendi, tanto na investigação dessas fraudes como em trabalhos preventivos", afirma Jaqueline, que, junto com outros colegas detetives, foi a autora de um material didático -- Casos de Investigação Privada, usado no curso.

       No cotidiano da profissão, Jacqueline explica que algumas etapas são básicas. Após levantar todos os detalhes com o cliente, ela se debruça sobre o caso, faz estudo do local e avalia se precisará contar com outros detetives.

       Em algumas situações, a infiltração (frequentar determinado local para conhecer melhor o ambiente) e a caracterização (vestir-se de acordo com as pessoas que frequentam o lugar para passar despercebida durante as observações) fazem parte da investigação. "Se estarei numa balada ou num ambiente corporativo, isso vai determinar a forma como vou me vestir e me comportar", conta. Quando há infiltração, também é necessário fazer laboratório, para atuar de maneira natural na investigação e não chamar atenção.

       Como resultado do trabalho, as provas apresentadas ao cliente consistem em fotografias, filmagens, relatórios das atividades realizadas e dossiê sobre a vida pregressa e atual do investigado.

       O também detetive Ricardo Ferreira, 50, lembra um outro caso em que trabalhou ao lado de Jacqueline. "Ela é sensata, tem raciocínio lógico e alta capacidade de improvisação, características essenciais para a profissão", diz ele.

       Jacqueline participou da Comissão Nacional Pró Regulamentação dos Detetives do Brasil, que deu origem à lei que reconhece a profissão de detetive particular, e é vice-presidente do Condesp (Conselho dos Detetives do Estado de São Paulo).

       Sobre o valor cobrado para uma investigação, ela conta que varia de acordo com alguns fatores, como localização e nível de dificuldade. Para uma investigação conjugal básica, que demora de 15 a 20 dias, ela cobra cerca até R$ 8.000. "É preciso técnica, habilidade, disponibilidade. Se fosse simples ou fácil, o cliente mesmo resolveria", justifica. Segundo ela, que afirma ter trabalhado em pelo menos 3.000 casos, em geral a suspeita do cliente se confirma.

       A detetive cita dois casos que marcaram sua carreira. Um conjugal, em que a investigada, pega em flagrante entrando em um motel, atacou a detetive e quebrou sua máquina fotográfica. O caso foi parar na delegacia, e o boletim de ocorrência foi usado como prova judicial do adultério. O outro caso foi a localização da família de uma cliente adotada. "Ela não chegou a conhecer a mãe biológica, que já tinha morrido, mas se reencontrou com suas tias e familiares, e foi bem emocionante", lembra.

Curso superior forma sua primeira turma neste ano

       O sonho de se tornar detetive pode virar realidade e com o aval de um diploma superior. O Uninter iniciou a oferta do curso Investigação Profissional: Detetive Particular em 2018, e a primeira turma, de um total de quase 800 alunos matriculados, vai concluir os estudos no final deste ano. Trata-se de uma graduação tecnológica (cursos mais curtos e com maior ênfase na prática do que os tradicionais bacharelados), com dois anos de duração e oferecida na modalidade a distância. Os encontros presenciais, para a realização de avaliações, acontecem uma vez a cada sete semanas, nos polos de apoio presencial. O curso tem autorização do Ministério da Educação e deve obter o reconhecimento no segundo semestre de 2019, segundo Jorge Bernardi, vice-reitor da Uninter e idealizador do curso.

       A grade curricular é dividida em sete grandes módulos -- introdução, direito e comunicação, processo penal e fraudes, ciência e tecnologia, segurança, inteligência e estratégia -- e traz disciplinas como criminologia, ética, investigação de riscos e fraudes corporativas, investigação de crimes digitais, estudos de caso, técnicas de entrevista e interrogatório e psicologia investigativa.

       Um dos atrativos da graduação é um kit de investigação que os alunos recebem a partir da primeira metade do curso. É uma maleta que contém equipamentos como caneta, chaveiro e relógio-espião, que gravam áudios e vídeos, além de uma lupa (que pode detectar irregularidades, como assinatura fraudulenta), lente que amplia em até 50 vezes o campo de ação e um detector de informações eletrônicas -- que serve para fazer varredura num determinado local, por exemplo, e verificar se não há algum aparelho grampeado.

De acordo com Bernardi, entre os alunos estão detetives que já atuavam na profissão, mas querem se qualificar, ex-policiais, pessoas que trabalham na área da segurança e interessados em geral. Uma curiosidade é que 48% dos estudantes são mulheres.

       "A imagem que temos do detetive é aquele profissional que a esposa contrata para descobrir se está sendo traída. Mas a atuação dele vai muito além disso. Ele investiga fraudes em corporações, trabalha em empresas nos setores de segurança e inteligência. Muitos prestam concurso público para a polícia civil ou federal. Começam a surgir oportunidades em guardas municipais e em escritórios de advocacia", diz o vice-reitor.

Fonte: BOL Notícias. Imagem: Rafael Roncato/UOL. Matéria por Lisandra Matias – UOL-SP

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